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Maria Antonieta Alessandri:
minha mãe
Aos 20 de maio de 1918, na pequenina
cidade de Monte Alegre de Minas,
nasceu a quarta
dos seis
filhos de
Izoleta e Vittorio
Alessandri. Miudinha, de temperamento forte, Maria Antonieta às vezes fazia
meu avô sair de casa e caminhar por um
tempo, até passar
a raiva, para não bater naquela
filha
que às vezes
o tirava
do sério.
Aos 12 anos mudou-se
para Uberlândia para fazer
o Curso Normal.
Aos 20, foi
para Belo Horizonte fazer
o curso superior.
Meu avô resistiu à idéia
da filha sozinha, tão jovem,
em BH,
com todos os riscos
de uma grande cidade. "Pode virar prostituta",
prognosticou, ameaçadoramente, quando viu a resistência de minha mãe e de minha avó,
sua aliada
na causa. "Se virar, não será a primeira
nem a última", respondeu
tranquilamente minha
avó que, claro,
conhecia a filha
que
tinha e os valores
que Ihe ensinara.
Foi lá que ela conheceu
o grande amor
da sua vida.
Clovis
Figueiredo
viera
do
sul de
Minas para estudar
Medicina
na capital.
Foi um
amor
tão fulminante
que em pouco tempo,
ela, que
era noiva
de outro,
desmanchou o
noivado para casar-se com o
jovem médico. Resolveram
começar
a vida em Goiânia, cidade recém-fundada
por
Pedro Ludovico.
Era
o início da
década de
40
e os sonhos
povoavam as
mentes e os corações
do
jovem casal, que teve
quatro filhos: eu,
Clovis,
Eurípedes
e
Marcus.
Depois
vieram os oito netos
e os
cinco bisnetos.
Mas não foi só na família biológica
que minha
mãe atuou. Sua casa era
abrigo para
jovens, sobrinhos ou
não, de
Monte Alegre ou Boa
Esperança, que queriam estudar em Goiânia
e
precisavam
de uma casa. E
também não foi só
na sua casa
que ela acolheu pessoas.
Minha mãe dedicou
sua vida à
causa
solidária e fraterna de acolher pessoas seja
nas suas necessidades
físicas,
psicológicas ou espirituais.
Participou
da vida de muitos em
momentos de
comemoração
como casamentos,
abençoando os noivos
com
sua poesia
das alianças,
ou ajudou
na
despedida de
entes
queridos
que na mudança de plano espiritual
deixam
os
corações dos que
ficam repletos de
saudade.
Com
sua fé inabalável
na
continuidade da vida,
ela foi um ponto de
equilíbrio em momentos
difíceis da vida de
muitas pessoas.
E as obras...
o Instituto
Educacional Emmanuel,
a Escola Reunida Tenda
do Caminho,
o pré-escolar
Humberto de
Campos e o
Bezerra de
Menezes,
a
Escola e Lar de Matilde, a Obra do Berço,
a Livraria
Castro
Alves,
o Solar Colombino
Augusto de
Bastos,
o Grupo de Orientação
Familiar,
a Casa da Pequena
Costureira...
enfim... quantas
pessoas
puderam ser
atendidas em suas dificuldades
pela dedicação de pessoas como minha
mãe, que acreditam
que "a
fé sem
obras é morta".
É
claro que ninguém faz
nada sozinho.
Minha
mãe foi colaboradora
de uma obra grandiosa
traçada na
espiritualidade,
que contou com
a dedicação
de centenas
de outras pessoas que a falta de
espaço me impede de citar
sem ser injusta.
Mas não há
dúvida
de
que seu
apoio primeiro
e maio |